REPRESENTAÇÕES SOCIAIS E CONDIÇÕES DE SAÚDE EM MORADORES DE RUA
Resumo
Os moradores de rua são considerados um sinal emergente de mudanças sociais, políticas, econômicas e na saúde, possibilitandoo fenômeno de exclusão social. Estas pessoas que estão em situação de descaso ficam submissas aos diferentes riscos, sendo
relevante a compreensão dessas existências destinadas a não deixar rastro. Com isso, o objetivo deste trabalho foi investigar as
representações sociais e condições de saúde em moradores de rua, na cidade de Fortaleza, Ceará. A metodologia foi o relato de
experiência realizado por meio do modelo de pesquisa qualitativo-etnográfica. A pesquisa aconteceu numa organização social
localizada em Fortaleza, Ceará, onde foram efetuadas dez visitas com duração de duas horas cada, durante três meses. Nas
representações sociais comuns obtidas destaca-se que o morador de rua é denominado como viciado, drogado, doente e pobre. A
linguagem estabelecida é coloquial de baixa escolaridade, há ocorrência de gírias, expressões não verbais e neologismos. Referente
à identidade, foi evidenciado que eles se apoderam das rotulações estabelecidas, transformando e moldando sua identidade por
meio do olhar do outro. Nas condições de saúde, os analisados declaram apresentar diferentes riscos durante o dia pela exposição
a diferentes fatores, sendo comum a apresentação de resfriados, gripes, tosse ou rouquidão. Logo se adaptam a essa situação
e concluem que esta tudo bem e aquilo é algo comum. Por fim, é importante que haja intervenções além destes caracteres
envolvendo o biopsicossocial, com uma equipe multiprofissional na elaboração de politicas e práticas que lhes proporcionam
qualidade de vida.
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