REPRESENTAÇÕES SOCIAIS E CONDIÇÕES DE SAÚDE EM MORADORES DE RUA

Tallys Newton Fernandes de Matos, Soraya da Silva Trajano, José Manuel Peixoto Caldas, Ana Maria Fontenelle Catrib

Resumo


Os moradores de rua são considerados um sinal emergente de mudanças sociais, políticas, econômicas e na saúde, possibilitando
o fenômeno de exclusão social. Estas pessoas que estão em situação de descaso ficam submissas aos diferentes riscos, sendo
relevante a compreensão dessas existências destinadas a não deixar rastro. Com isso, o objetivo deste trabalho foi investigar as
representações sociais e condições de saúde em moradores de rua, na cidade de Fortaleza, Ceará. A metodologia foi o relato de
experiência realizado por meio do modelo de pesquisa qualitativo-etnográfica. A pesquisa aconteceu numa organização social
localizada em Fortaleza, Ceará, onde foram efetuadas dez visitas com duração de duas horas cada, durante três meses. Nas
representações sociais comuns obtidas destaca-se que o morador de rua é denominado como viciado, drogado, doente e pobre. A
linguagem estabelecida é coloquial de baixa escolaridade, há ocorrência de gírias, expressões não verbais e neologismos. Referente
à identidade, foi evidenciado que eles se apoderam das rotulações estabelecidas, transformando e moldando sua identidade por
meio do olhar do outro. Nas condições de saúde, os analisados declaram apresentar diferentes riscos durante o dia pela exposição
a diferentes fatores, sendo comum a apresentação de resfriados, gripes, tosse ou rouquidão. Logo se adaptam a essa situação
e concluem que esta tudo bem e aquilo é algo comum. Por fim, é importante que haja intervenções além destes caracteres
envolvendo o biopsicossocial, com uma equipe multiprofissional na elaboração de politicas e práticas que lhes proporcionam
qualidade de vida.

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