A EXISTÊNCIA DO SERVIÇO DE SAÚDE GARANTE O ACESSO DOS USUÁRIOS? NOTAS SOBRE O CUIDADO ÀS PESSOAS QUE VIVEM COM HIV/AIDS E FAZEM USO DE CRACK

Jhennifer de Souza Góis, Cybelle Façanha Barreto Medeiros Linard, Fernando Virgílio Albuquerque de Oliveira

Resumo


As pessoas que vivem com HIV/Aids e usam crack possuem representações sociais que lhes atribuem singularidade. Objetivo:
analisar a relação entre a existência de serviços e a garantia do acesso ao cuidado de pessoas que vivem com HIV/Aids e
fazem uso de crack. Metodologia: trata-se de um estudo de natureza qualitativa, realizado a partir da metodologia de construção
de itinerários terapêuticos de pessoas que vivem com HIV/Aids e fazem uso de crack. A amostragem é constituída por essas pessoas
e por profissionais a partir de suas falas. A análise foi feita com o referencial de Paul Ricoeur. Resultados e discussão: a produção
do cuidado para pessoas que vivem com HIV/Aids é atrelada a um viés biomédico e farmacocêntrico, e para pessoas que usam
crack é pautada por estigmas e generalizações equivocadas a respeito do uso. O cuidado precisa ser amplo e multidimensional
para ser efetivo. Conclusão: a existência de serviços de saúde não garante o acesso e a adesão ao tratamento. Viver com HIV/Aids
e fazer uso de crack está marcado por estigmas e vulnerabilidades sociais que precisam ser levadas em consideração para garantir
a produção do cuidado para essas pessoas.

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