PLANO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE: UM COMO FAZER COM BASE NO NORDESTE BRASILEIRO

Ricardo Burg Ceccim, Sílvia Maria Negreiros Bomfim Silva, Luís Fernando de Souza Benício, Kilvia Paula Soares Macedo, Cândido Sampaio de Castro Neto, Karina Oliveira de Mesquita, José Luiz Paiva de Mendonça Ferreira, Ívina Maria Siqueira Lima

Resumo


No Estado do Ceará, nordeste brasileiro, em 2018, foi empreendida uma pesquisa-formação acoplada ao planejamento participativo em saúde que escutou e analisou realidades locais mediante oficinas locorregionais. O objetivo foi a escuta e a análise problematizadoras (pesquisa-formação) e a formulação de um projeto de intervenção como política pública (planejamento participativo). Da pesquisa emergiu a compreensão de um particular conceito de saúde, próprio à região do semiárido nordestino, “saúde cabra da peste”, que veio como saúde do cuidado em família, diferente do propalado conceito de saúde da família. A presença da Educação Popular como transversal às práticas de cuidado e a noção de território como centro, vieram inovadoras, não com o paroquialismo frequente nos discursos sobre saúde da família, mas como presença do lugar, adaptação ao global, mas também resistência local. Ainda a evidência da presença de estudantes e universidades nas realidades locais, especialmente pelo interior. O planejamento se concluiu com 6 eixos estratégicos, onde a atenção e a gestão da clínica vieram, não como carro-chefe, mas sucedâneas a uma estrutura de desenvolvimento do sistema e do trabalho em saúde. Como ganho e produto final a emergência de um “como fazer”, que contempla pesquisa, formação, intervenção e gestão de política pública.


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DOI: https://doi.org/10.36925/sanare.v20i1.1531

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