EMERGÊNCIA DE UM “CAMPO DE AÇÃO ESTRATÉGICA”: ORDENAMENTO DA FORMAÇÃO E EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE

Ricardo Burg Ceccim

Resumo


Trata-se de um ensaio teórico, extraído de um estudo de caso em análise de políticas públicas, do qual o autor foi avaliador em diferentes etapas (da proposição de pesquisa à relatoria científica). Aborda a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde como caso singular ao surgimento, na política pública de saúde brasileira, de um “Campo de Ação Estratégica”, segundo os termos da Teoria dos Campos, de Neil Fligstein. De uma política nacional a um campo de ação estratégica, distinguiram-se a habilidade social dos atores da formulação da política, a condição de abranger uma rede de interações novas, segundo o compartilhamento/identificação na trama social de desdobramento da política, e a emergência de atores na sociedade. A estabilização da política se deu mesmo em face das substituições de projeto no governo e da substituição dos atores de formulação da política. A Educação Permanente em Saúde se apresentou como projeto conceitual e operacional de compreensão rápida, com potencial de comunicação e tradução social, além de identificação como bandeira de luta por uma educação com os princípios do Sistema Único de Saúde.

 


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DOI: https://doi.org/10.36925/sanare.v18i1.1307

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